Entrevista exclusiva com Maurizio Borletti, CEO da Printemps e La Rinascente

Maurizio Borletti veio ao Brasil para o Fashion Marketing, evento promovido pela consultora de moda Gloria Kalil e contou com exclusividade a esta editora, os segredos dos templos de luxo.
Sobre a Printemps: A loja como conhecemos hoje não é uma invenção da era moderna ou do consumismo exacerbado, mas sim fruto de uma visão arrojada de Jules Jaluzot, que em 1865 fundou a department store localizada no triângulo formado pela estação de trem St. Lazare; igreja da Madeleine e o Palais Garnier.
Considerada a mais parisiense das lojas de departamento de Paris, a Printemps sempre teve uma arquitetura elegante para o seu tempo. Desde a sua inauguração, o prédio imponente em estilo Renascentista, com grandes janelas até a reforma que lhe rendeu uma cúpula em vidro (absolutamente maravilhosa) em 1923. O segredo do reconhecimento mundial, Borletti nos conta nesta entrevista.
Fachada da Printemps
Paola: O Sr. não acha que um produto de luxo pode perder um pouco do seu conceito por estar em uma loja de departamento?
Borletti: Pelo contrário! Eu acredito que as lojas de departamento podem, por seu tamanho e variedade de marcas, proporcionar uma ótima experiência de compra. As lojas de departamento também possuem uma grande historia, assim como as grandes marcas de luxo. A Printemps e a Rinascente foram fundadas em 1865, muito antes de algumas marcas de luxo aparecerem. É importante lembrar que a idéia de ter lojas de marcas é um conceito recente. 
Visual interno da Printemps
Paola: O que acha sobre a expressão “Luxo acessível” se o conceito de luxo é para poucos e por esta razão inacessível?
Borletti: Luxo é difícil de definir, mas eu o associo com o top de design de produto e qualidade em qualquer segmento. Como exemplo, poderia citar um relógio Cartier ou um vestido Dior que são produtos de luxo. E um perfume de 150euros não deixa de ser um luxo, mas é acessível e também é uma forma de introduzir produtos de luxo para pessoas que ainda não são compradoras deste mercado. 
Espaço da prestigiosa Balmain
Paola: O que falta a moda brasileira para chegar às grandes lojas, como a Printemps?
Borletti: Para o mundo, o Brasil é conhecido como o país do turismo e não da moda. É preciso que o governo promova a moda nacional. As marcas devem fazer esforços para se tornarem conhecidas, criarem conceitos e ter presença de mercado (varejo). Participar de feiras internacionais, adaptar as coleções aos padrões europeus. Mas, por que conquistar a Europa antes da Am. Latina? 
Loja De Beers - exclusividade da Printemps na França
Paola: Então há um erro de estratégia?
Borletti: Talvez! A moda brasileira não é vendida apropriadamente. É preciso enxergar as oportunidades como moda praia, produtos naturais e ‘eco-friendly’; pedras preciosas e a joalheria. E o mais importante: ter conceito! O produto não pode só representar design. É preciso ter conceito.
Paola: Falando um pouco sobre a Printemps, existem planos de trazê-la ao Brasil?
Borletti: As condições para o sucesso de uma loja no Brasil aparentam ser favoráveis em termos de demanda. O que dificulta a operação no país são os tributos que os produtos distribuídos pela Printemps sofrem. Vamos monitorar o mercado, mas neste momento não temos nenhum plano para o Brasil. 
Espaço da Dior Beauté na Printemps
Paola: O Sr. acha que existem diferenças no comportamento de compra entre o francês e o italiano? Quais seriam estas diferenças?
Borletti: No segmento do luxo o comportamento dessas duas nacionalidades não é muito diferente. O que difere mais são as preferências por marcas, se olharmos para o segmento médio, onde as marcas locais têm maior participação de mercado.

Espaço da Dior Beauté na Printemps
Paola: No site da Printemps, não existem muitos serviços on-line. Isso é uma estratégia? Os franceses não têm o hábito de comprar pela internet?
Borletti: Nós estamos revisando toda a estratégia de presença da internet. As vendas de produtos de luxo pela internet não são uma prioridade, mas sabemos que o crescimento neste mercado é rápido e estamos nos preparando para respondê-lo adequadamente.
Paola: Como membro do Comitê Colbert, como o Sr. vê a questão da falsificação de produtos de luxo? Existe alguma ação conjunta com o Governo Brasileiro para diminuir este problema?
Borletti: O Comitê Colbert sempre foi muito preocupado com esta questão e obtivemos forte cooperação de vários países, incluindo o Brasil. A real questão deste mercado não é somente infringir os direitos de propriedade intelectual, mas o fato de ter se tornado uma organização global gerida pelo crime organizado.
Detalhe da uma das cúpulas da Printemps - Um luxo!









1. Bela entrevista.
muito bem produzida
parabens