Tecido de bambu? Acho que não!

Pesquisando sobre a nova moda fashion, - o tecido de bambu – descobrimos que não passa de uma grande fraude!
O Engenheiro químico Hans Jürgen Klein, explica que: “As 1.300 espécies de bambu existentes no mundo são constituídas de fibras de celulose (como qualquer planta), além de lignina, hemiceluloses, amido e sílica. As fibras de celulose são minúsculas e tem tamanhos diferentes e o seu formato lembra uma pequena mangueira, pois são ocas e tem em média um comprimento de 2 a 3 milímetros e a largura destas fibras é ainda 100 vezes menor. Só dá para ver em microscópio.
Qualquer fio têxtil, seja ele natural ou artificial, precisa ter um comprimento mínimo de 30 milímetros. Os fios fabricados, por exemplo, pela TENBRO têm comprimentos de 38 mm, 51 mm, 76 mm e 86 mm, conforme indicado no site deles (www.tenbro.com). Ou seja, estes fios têm comprimento de 10 a 30 vezes maior do que uma fibra natural de celulose de bambu. Não existe maneira de emendar as fibras de bambu para elas adquirirem o tamanho necessário para um fio têxtil.
Todos os tipos de "tecido de bambu" usam um fio têxtil chamado de viscose. Também a TENBRO menciona este nome, assim como a Malharia Marles, a Döhler, a Zorba e tantas outras empresas e marcas. Ninguém esconde o fato de que se trata de fios de viscose.
Mas, no que consiste então a fraude? Acontece que a fibra de viscose é uma fibra artificial, obtida por um processo químico inventado há mais de 100 anos e que usa um produto altamente tóxico chamado de dissulfeto de carbono. Este produto reage com qualquer fibra natural de celulose e desmancha estas fibras, transformando as mesmas em uma massa plástica, parecida com o nylon. Depois ela é processada numa máquina extrusora, que transforma a massa plástica em fios contínuos, que depois são cortados nos tamanhos adequados para fios têxteis. Qualquer fibra de celulose pode ser usada para fabricar a viscose, portanto podem ser fibras de árvores, ou de arbustos, ou de resíduos agrícolas (como palha de trigo, de milho, ou de arroz), mas também pode ser qualquer fibra de celulose de bambu.
Um fio de viscose tem sempre as mesmas características físicas e químicas, independente do tipo de fibra natural de celulose que lhe deu origem. Portanto um fio de viscose de eucalipto é exatamente igual a um fio de viscose de palha de trigo e também é igual a um fio de viscose de bambu.
Então a fraude consiste no seguinte: na China a viscose em geral é feita de bambu, que para eles é uma matéria-prima abundante e barata. Como o processo de fabricação da viscose é poluidor, nos últimos 50 anos diminuiu muito a produção mundial e hoje o setor de viscose é dominado pelos países asiáticos, que pagam salários baixos e não se importam com poluição industrial.
Como no mundo inteiro o bambu goza de uma reputação de produto natural e ecológico (com toda razão, por sinal), algum comerciante inescrupuloso teve a infeliz idéia de divulgar os tecidos feitos de viscose como sendo feitos de fibra de bambu, escondendo a informação de que depois de transformada em viscose a fibra nada mais tem a ver com bambu. Na verdade, ao comprar um tecido de viscose, é impossível saber qual foi a fibra de celulose usada em sua fabricação. E também, mesmo que pudéssemos descobrir a fibra de origem, isto em nada mudaria as características da viscose, que é artificial e poluidora e não natural e ecológica".
Sobre o bambu:
O bambu é uma gramínea de rápido crescimento. Enquanto uma plantação de pinus leva sete anos para produzir três mil árvores por hectare, o bambu leva apenas três anos para produzir dez mil árvores no mesmo espaço. Além do mais, a cultura do bambu é eminentemente sustentável.
O bambu também pode ser usado para regenerar solos degradados e fixar nutrientes no solo. A plantação de bambu também dispensa o uso de pesticidas (a cultura do algodão é responsável por cerca de 30% do consumo de agrotóxicos no mundo).
Hans-Jürgen Kleine tem experiência de mais de 30 anos em fábricas de celulose e papel, nas áreas de controle de qualidade, segurança e meio ambiente, bem como em fábrica de viscose. Atualmente dedica-se ao desenvolvimento da cadeia produtiva do bambu, através da Associação Catarinense do Bambu, conhecida como BambuSC e com sede em Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Fui o fundador desta entidade em 2005.







